quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ABSOLVER x ABSORVER

“Absolver” significa inocentar: “O júri absolveu o réu”.

“Absorver” significa puxar para dentro, assimilar, tomar para si: “Acusado de centralizador, presidente do Sport está absorvendo toda a culpa pelo fracasso”; "Empresas vão absorver prejuízo"; "Amazônia absorve menos carbono".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

CONCORDÂNCIA: VERBO "SER"

O verbo "ser" concorda preferencialmente com o predicativo quando o sujeito é um pronome neutro ("tudo", "isso", "aquilo") ou palavra de sentido coletivo ou partitivo:

Tudo são flores.

Aquilo não eram atitudes de um ser humano.

Isso serão previsões sem sentido.

Isso aqui são férias.

A maioria eram rapazes.

O resto são bobagens.

O mais eram sacrifícios.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Seríssimo ou seriíssimo?

Escrevem-se com “i” dobrado os superlativos originados de adjetivos com a terminação “-io”: macio = maciíssimo; frio = friíssimo; sério = seriíssimo.

Importante! Quando o adjetivo termina em “-eio”, o superlativo não tem “i” dobrado: cheio = cheíssimo; feio = feíssimo.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A origem do nome "Honduras"

Em 1502, Cristóvão Colombo navegava em águas do atual território hondurenho quando sobreveio furiosa tempestade.

Ante a força da natureza, Colombo e a tripulação de sua nau viram-se na iminência de um trágico fim.

E então, entre orações e desespero, a tormenta cessou, ocasião em que o navegador proferiu as seguintes palavras: "Gracias a Dios que hemos salido de esas honduras!"

Em espanhol, a palavra "hondura" significa "profundeza". E, depois da frase de Colombo, passou a nomear o país que hoje conhecemos como "Honduras".

Lenda ou não essa história, o fato é que, infelizmente, 500 anos depois da tempestade enfrentada por Colombo, o povo de Honduras ainda não conseguiu sair das profundezas em que o meteram.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pentaicosacampeão

O companheiro Fernando Menezes, o vovô da redação do Jornal do Commercio, nos procurou para esclarecer a seguinte questão: como se chama a equipe que conquista um campeonato 25 vezes seguidas?

A gênese da dúvida foi um leitor que, vendo que o time de remo do Sport Club do Recife havia ganho o 25º título seguido da competição estadual, procurou Fernando para saber a palavra designadora dessa conquista.

Ora, sabemos que quem conquista dois campeonatos é bicampeão; três, tricampeão; quatro, tetracampeão; cinco, pentacampeão; seis, hexacampeão; sete, heptacampeão; oito, octocampeão; nove, eneacampeão; e dez, decacampeão. Até aí é fácil.

A história se complica a partir do 11º campeonato. E há razão para isso: raramente uma equipe conquista 11, 12, 15, 20, 25 ou mais competições seguidas.

Além do mais, a maioria dessas palavras, digamos, designativas de campeões tem como base elementos de origem grega de pouquíssimo uso na língua portuguesa contemporânea.

Mas voltando à pergunta que deu origem a este comentário: como se chama aquele que conquista um campeonato 25 vezes seguidas?

"Pentaicosacampeão", palavra formada dos elementos gregos "penta", 'cinco', e "icosa", 'vinte', mais a palavra "campeão". Então comemorem, remadores do Sport, vocês são pentaicosacampeões!

E, para a conversa ficar quase completa, segue abaixo a relação dos campeões de 11 até 100 conquistas seguidas.

De hendeca a hectacampeão

11 vezes: hendecampeão ou undecacampeão

12: dodecacampeão

13: tridecacampeão

14: tetradecacampeão

15: pentadecacampeão

16: hexadecacampeão

17: heptadecacampeão

18: octodecacampeão

19: eneadecacampeão

20: icosacampeão

21: henicosacampeão

22: doicosacampeão

23: tri-icosacampeão

24: tetraicosacampeão

25: pentaicosacampeão

26: hexaicosacampeão

27: heptaicosacampeão

28: octoicosacampeão

29: eneaicosacampeão

30: triacontacampeão

40: tetracontacampeão

50: pentacontacampeão

60: hexacontacampeão

70: heptacontacampeão

80: octocontacampeão

90: nonacontacampeão

100: hectacampeão

terça-feira, 27 de outubro de 2009

REGÊNCIA: REPROVAR

Saiu no jornal: “O jovem está apenas no segundo ano da faculdade de direito e já reprovou dois anos".

O verbo “reprovar” é transitivo direto.

E, na acepção de “considerar inabilitada uma pessoa”, ele tem duas construções possíveis:

1. Uma pessoa reprova outra pessoa: “O professor reprovou o aluno”.

2. Uma pessoa é reprovada (por outra): “O aluno foi reprovado pelo professor”; “O jovem está apenas no segundo ano da faculdade de direito e já foi reprovado dois anos”.

Repare que nessa acepção o “aluno” sofre a ação, e não a pratica. Por isso não pode ser “o aluno reprovou dois anos”, pois o aluno não reprova nada, ele “é reprovado”.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Plural dos nomes próprios

Segundo a ortografia oficial, os nomes próprios estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns.

Isso significa que nome próprio varia no plural. Não há, portanto, razão para estranharmos plurais como "os Cavalcantis", "os Gusmões", "os Joões", "os Maias", "os Sampaios", "os Silvas", "os Pereiras", "os Rangéis", "os Vidais".

São normalíssimos todos eles, pois obedecem rigorosamente à regra.

Devemos apenas ficar atentos a algumas particularidades:
1) Se o nome termina em "s" ou "z", fica invariável: os Muniz, os Quadros, os Queirós, os Rodrigues, os Vaz. Exceção: os Luíses.

2) Se o nome próprio é composto, só o primeiro elemento varia: os Machados de Carvalho, as Marias do Carmo, os Pedros Paulo, os Luíses Antônio, os Pedros Camargo.

3) Se os elementos do nome composto forem ligados pela conjunção "e", ambos irão para o plural: os Andradas e Silvas, os Plácidos e Sousas, os Rosas e Silvas.

4) Se for um nome estrangeiro, o plural será indicado por um "s", mesmo que essa não seja a flexão de plural da língua de origem: os Bushs, os Collors, os Disneys, os Jacksons, os Kennedys, os Lincolns, os Suplicys.

Para concluir, é importante o registro de que a regra da boa sonoridade deve prevalecer em certos casos.

Por outras palavras, não devemos flexionar os nomes que não soam bem no plural: os Gil (e não "os Gis"), as Ester (e não "as Esteres").

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SE O RELATOR REVER SUA POSIÇÃO ou SE O RELATOR REVIR SUA POSIÇÃO?

O certo é “Se o relator revir sua posição”.

Ocorre que o verbo “rever” no futuro do subjuntivo, precedido de “se” ou “quando”, tem a forma “revir”.

Por isso, “Se eu revir meu irmão...” (e não “Se eu rever meu irmão...”); “Quando ele revir o texto...” (e não “Quando ele rever o texto...”); “Se nós revirmos o trabalho antes...” ( e não “Se nós revermos o trabalho antes...”).

Olho vivo! O verbo “ver” e seus derivados (“rever” é um deles) conjugam-se da mesma forma: “se eu vir”, “quando eu previr”, “se ela antevir”.

Exceção: “prover” (“se eu prover”, “quando ele prover”, “se nós provermos”).

sábado, 17 de outubro de 2009

APOSENTADO VAI PAGAR JUROS MENOR ou MENORES?

“Juros” é uma forma de plural e por isso leva os determinantes – artigo, pronome e adjetivo – também ao plural. Desse modo, “Aposentado vai pagar juros menores”.

Convém acrescentar que, com a forma “juro”, a história é diferente – os determinantes ficam no singular: “Aposentado vai pagar juro menor”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A pronúncia de "Nobel"

O presidente Barack Obama ganhou o Nobel da Paz e deixou em evidência o fato de que muita gente não sabe pronunciar a palavra que nomeia a premiação.

Nobel é palavra oxítona.

A sílaba tônica é a última, "-bel".

Logo, pronuncia-se "Nobel" do mesmo modo que "papel".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SÓCIOECONÔMICO ou SOCIOECONÔMICO?

O certo é “socioeconômico”, sem acento no primeiro “o”.

Por um motivo muito simples: nas palavras da língua portuguesa, só três sílabas são acentuáveis – última sílaba (oxítona: cajá, jiló), penúltima sílaba (paroxítona: júri, repórter) e antepenúltima sílaba (proparoxítona: rápido, translúcido).

Razão pela qual grafias como “rádiopatrulha”, “sócioeconômico” e “vídeoconferência”, com acento antes da antepenúltima sílaba, são erradas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Conectivos

Um texto é um encadeamento de frases.

Para que haja esse encadeamento, é preciso usar elementos de ligação chamados de "conectivos".

Em geral, os conectivos são conjunções e preposições.

Saber quando e como usar o conectivo certo é muito importante, pois a habilidade de escrever bem está relacionada a essa capacidade.

Infelizmente poucos sabem empregar corretamente os conectivos.

Por isso é comum escutarmos frases como "O jogo onde nosso time jogou bem".

Ora, "onde" é um conectivo usado exclusivamente para se referir a lugar:

A rua onde mora.

O prédio onde trabalha.

A região onde chove muito.

Se assim não for, usa-se "em que", "no qual", "na qual", como nas seguintes frases:

O jogo em que nosso time jogou bem.

No discurso em que...

O panfleto em que...

Eram dois discos nos quais...

Distribuiu memorando em que...

Uma carta na qual ...

A declaração em que...

A ideia em que...

Palavras em que...

Um filme em que..

O pensamento em que...

O pior é que, quando é para se usar "onde", empregam outro conectivo:

A empresa que eu trabalho.

Típico exemplo de frase malformulada, pois o conectivo era para ser outro.

Como há relação de lugar, em vez de "que", era para estar "onde":

A empresa onde eu trabalho.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

OS SOCIAL-DEMOCRATAS ou OS SOCIAIS-DEMOCRATAS?

A palavra “social-democrata” tem dois plurais.

Quando é substantivo, variam os dois elementos: “Os sociais-democratas venceram as eleições alemãs.”

Quando é adjetivo, varia apenas o último elemento: “Governos social-democratas ampliam força na Europa”.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A origem da palavra "parasita"

Parasita é todo organismo vivo que se alimenta de outro sem contribuir para a sobrevivência deste.

Essa é a definição atual. Já foi diferente.

De origem grega e formada pelo prefixo "para-", 'ao lado de', e "sitos", 'trigo, pão, comida', a palavra "parasita" designava na Grécia antiga o alto funcionário público cuja função era monitorar a colheita de trigo, a preparação do pão e os banquetes em homenagem aos deuses.

Como podemos ver, o significado da palavra mudou, mas os governos continuam infestados de parasitas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nova York x Nova Iorque

O leitor Reginaldo Chaves de Almeida, do Recife, nos enviou e-mail questionando por que o Jornal do Commercio escreve "Nova Iorque".

Segundo ele, a maioria da imprensa grafa "Nova York".

Caro leitor, o JC adota a grafia "Nova Iorque" por um único motivo: lógica.

"Nova Iorque" é uma locução. Locução é uma palavra composta, ou seja, duas ou mais palavras com valor de uma.

Não existe na língua portuguesa locução mista, com uma parte em português e outra em língua estrangeira.

Ou é tudo na língua original, ou é tudo aportuguesado.

Repare que, se fosse possível o disparate "Nova York", faríamos o mesmo com outras locuções, como "new wave", que viraria "nova wave".

Mas quem em sã consciência já grafou "nova wave"?

Ninguém, nem mesmo os que escrevem "Nova York".

No entanto, a locução "new wave" pode ser aportuguesada para "nova onda", que é uma forma com muitos adeptos, do mesmo modo que "New York" pode ser para "Nova Iorque", que também tem muitos adeptos.

E há mais argumentos contra a grafia "Nova York": qual o adjetivo relativo a esse nome?

Dicionários e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa só registram "nova-iorquino".

Ora, se o adjetivo é dessa forma, com "i" e "q" na segunda palavra, não há coerência em escrever "Nova York".

Coerência, aliás, não é o forte dos que preferem a grafia "Nova York", pois, quando usam o adjetivo, escrevem "nova-iorquino".

Deveriam escrever "nova-yorkino", não é mesmo?

E, para encerrar, desde 1940 a Academia das Ciências de Lisboa prescreve a grafia "Nova Iorque", o que é corroborado pelo vocabulário da Academia Brasileira de Letras.

É por tudo isso que o Jornal do Commercio escreve - com coerência e convicção - "Nova Iorque".

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A regência de "avisar"

Quando tem apenas um complemento, o verbo "avisar" é transitivo direto:

Avisei o diretor.

Avisamos o dono da loja.

Devemos avisar a família dele.

Quando tem dois complementos, "avisar" tem as seguintes regências:

1. Avisar alguém de alguma coisa: Avisei vocês do horário da reunião.

2. Avisar alguma coisa a alguém: Avisei a vocês o horário da reunião.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

APOLOGIA ÀS DROGAS ou DAS DROGAS?

Na língua culta, o substantivo “apologia” rege a preposição “de”.

Portanto, “Deputados acusam ministro de fazer apologia das drogas”.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

É um conto excelente SALVO ou SALVOS os erros de português?

A palavra “salvo” pode ou não variar em gênero e número.

Varia quando é adjetivo e significa “livre de perigo”: “Estamos todos salvos”, “Por enquanto elas estão salvas”.

E não varia quando é preposição e significa “exceto, afora”: “Salvo as estradas ruins, é bom viajar”, “É um conto excelente salvo os erros de português”.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

ENFEIANDO ou ENFEANDO?

Não há “i” no gerúndio de “enfear” e de todos os demais verbos terminados em
“-ear”:

estrear = estreando;
passear = passeando;
recear = receando;
frear = freando;
enfear = enfeando.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

IN MEMORIAN ou IN MEMORIAM?

O certo é "in memoriam", com "m" no fim da segunda palavra.